segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Como Construir um Armário Sustentável


Está quase a fazer um ano desde que comecei esta minha jornada pela sustentabilidade na indústria da moda. Tenho de dizer que tem sido uma caminhada bastante interessante, ao ponto de um momento de curiosidade pelo tema ter-se transformado no meu principal assunto de trabalho, não só na faculdade, mas também no meu cantinho do digital. Um ano depois, sinto que já vos consigo dar algumas dicas sobre a criação de um armário sustentável e é exatamente isso que venho partilhar convosco na publicação de hoje. Espero que seja uma publicação tão útil para vocês como teria sido para mim quando iniciei esta mudança na minha vida.


Construção de um Armário Sustentável 101:

1. Não caias no erro de começar por deitar tudo fora - as peças mais sustentáveis são aquelas que tens no teu armário, independentemente de onde e como as compraste.


Vejo muita gente a pensar que, para ter um armário sustentável, tem de se livrar, por exemplo, de todas as peças de fast fashion que alguma vez comprou. Mas isto é mentira! Não só não faz sentido deitares para o lixo roupa que adoras, como também essas peças de que te ias livrar teriam de ser substituído por algo novo, que gastaria mais recursos desnecessários. Começa sempre com o que tens e inicia a tua jornada a partir daí.


2. Contudo, se tiveres demasiadas peças, podes (e deves) fazer uma triagem.


Foi assim que eu comecei, por isso só faz sentido incluir este passo aqui. Muitas vezes, nós sentimos necessidade de ter um armário mais sustentável porque este nos começa a assoberbar, e é aí que sabemos que temos de reduzir. Nesta triagem, podes incluir várias categorias:


- Peças para dar um novo propósito: por exemplo, aquela t-shirt branca que está cheia de manchas, mas que pode ser sempre utilizada como um pano de limpeza. Atenção: uma peça de roupa só deve ir parar ao lixo mesmo em último caso (quanto mais o conseguirem evitar, melhor).

- Peças para doar/vender: peças que estão em boas condições, mas que já não gostas ou não te servem e, por isso, podem ser doadas ou vendidas. 

- Peças para transformar: seja porque umas calças precisam de ser apertadas ou porque uma camisola ficava melhor sem as mangas, há sempre peças que usaríamos muito mais vezes se fossem personalizadas; por isso, junta um saco para levar a uma costureira.

Peças para ficar: as peças que vais manter no teu armário.


3. Construir um armário sustentável é algo que precisa de muito tempo e paciência, pois apenas virá com as escolhas que precisas de fazer após iniciares a mudança.


Estou neste percurso há quase um ano, como vos disse, e, neste momento, apenas 20% do meu armário deve poder ser considerado como "sustentável". E porquê? Em primeiro lugar, porque reduzi muito as vezes que faço compras e, por isso mesmo, não tenho tantas vezes a possibilidade de trazer peças novas (que representam os meu novos valores) para o meu armário. No entanto, esses 20% advêm de todas as vezes que, ao longo deste ano, tive a possibilidade de fazer uma escolha. No fundo, este é um caminho que é para ser vivido - a sustentabilidade é algo que se vai construindo e a ideia de uma "meta final" é irreal, pois há sempre algo que podíamos melhorar. 


4. Quando precisas de comprar uma peça nova, procura inicialmente se esta pode ser encontrada em segunda mão ou através de um projeto de upcycling.


A sustentabilidade baseia-se, antes de qualquer coisa, na tentativa de não utilização de novos recursos. Por isso, sempre que necessitamos de algo novo, devemos procurar algo que seja novidade, sim, mas só para nós. Assim, devemos recorrer às várias alternativas em segunda mão que possamos ter ao nosso dispor, ou até à transformação de peças que já temos no nosso armário. Por exemplo, quando a tendência dos coletes começou a aparecer, em vez de comprar uma peça nova, eu optei por transformar uma camisola simples que já tinha no meu armário - mas que não usava - num colete, que agora uso semanalmente.


5. Apenas se não encontras o que procuras com as soluções acima referidas, deves fazer as tuas compras em lojas com uma produção ética e sustentável. 


Quando o ponto 4. não consegue ser realizado, então passa-se para a segunda melhor opção: as lojas sustentáveis. Aqui, podemos optar por marcas mais pequenas, como marcas mais ligadas à nossa cidade, ou então cadeias de maior produção, tendo sempre a confirmação de que a marca é efetivamente aquilo que diz ser (ninguém quer cair em greenwashing).




E é seguindo estes passos que se vai construindo um armário sustentável. Como disse, é um processo lento, e não podemos esperar atingir a meta final no dia a seguir a tomarmos a decisão de iniciar esta jornada - na verdade, não há uma meta final, pois existirá sempre uma forma de fazermos algo mais pelo nosso Planeta.


xoxo,

M.


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