quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

5 Pontos Positivos e 5 Pontos (Menos) Positivos de Fazer Erasmus


É verdade, estou de volta! 6 meses nos separam, desde a última vez que vos disse um "até já" (eu prometi que ia voltar) até ao dia de hoje, onde vos venho contar um pouco da minha experiência. E por muito que seja impossível resumir 6 meses da minha vida numa só publicação, queria recomeçar esta nova etapa do M's Journal com algumas das minhas aprendizagens durante este tempo que passou... Assim, e porque Erasmus é um daqueles tópicos que tanto nos deixa com entusiasmo como com receio, aqui vai um retrato bem real - sem mesmo nada a esconder - daquilo que gostei e não gostei em Erasmus.

Vamos começar com os pontos menos positivos, para acabar numa nota mais alegre, que tal?

5 Pontos (Menos) Positivos de Fazer Erasmus:

1. Senti sempre que era uma etapa "temporária" - e ninguém investe no que é temporário

"Porquê comprar isto se só irei utilizar durante estes meses?", "Porquê implementar esta rotina se daqui a um tempo terei de a mudar?" - seja no que fosse, não consegui investir em nada nestes seis meses; portanto, nunca me senti no meu conforto e bem-estar máximo.

Vivia com o que conseguia arranjar, geralmente da forma mais barata e prática que encontrava. Não me preocupei em investir em mim mesma, nos hábitos que criava (desde a hora a que acordava até ao que comia), porque meti na minha cabeça que era apenas um pequeno período da minha vida que iria acabar rapidamente.

Se poderia não ter feito isto? Claro, é completamente culpa minha, mas penso que temos tendência a ter esta mentalidade desleixada quando não conseguimos viver a pensar no longo-prazo.


2. Na minha cabeça, vivi numas férias mentais durante 6 meses

Este ponto está ligado ao último e, claro, até é algo que poderia estar nos pontos positivos - simplesmente, para mim, não é uma mentalidade que goste de adotar.

Já vos disse que me desleixei imenso, em várias áreas da minha vida, e isso é algo que me deixou bastante frustrada, apesar de saber que só eu tinha o poder para o mudar.

3. Descobri que ter saudades de casa é muito mais do que ter saudades da família

Vim de Erasmus preparada mentalmente para ter saudades da minha família e dos meus amigos... Não estava preparada para tudo o resto. Não sabia que ia ter saudades da forma como os supermercados estavam organizados, ou de sair à rua e efetivamente perceber as conversas que as pessoas estavam a ter à minha volta.

"Casa" é muito mais do que um sítio, do que pessoas, do que tudo o que eu pensava que era. "Casa" é conforto, é sentir-me bem exatamente onde estou e como estou e, para ser sincera, em nenhum momento conseguir chamar "casa" ao sítio onde vivi durante 6 meses.

4. Não fui feita para a cultura de Erasmus

Muito resumidamente, a minha personalidade não combina com os estereótipos ligados à cultura de Erasmus - sair todas as noites, ignorar responsabilidades, viver "ao máximo" - e, por isso, ter vivido esta experiência à minha maneira (não, eu recusei-me a moldar a minha personalidade ao ambiente onde estava) fez com que me sentisse muitas vezes desintegrada das pessoas que estavam a viver a mesma experiência que eu.

Se estou arrependida? Nem um bocadinho. Se sinto que teve impacto na maneira como agora vejo a minha experiência? Muito mesmo.

5. Quando voltei, senti que nada mudou

Eu mudei, cresci, aprendi, evoluí. Mas, à minha volta, parece que está tudo igual... E isso, apesar de ser reconfortante, principalmente para quem sofre intensamente de saudades de casa, da rotina, do ambiente conhecido, pode ser também bastante frustrante, pois só desejamos que toda a gente à nossa volta tivesse evoluído connosco.

5 Pontos Positivos de Fazer Erasmus:

1. Cresci (muito, mesmo muito)

Não fui de Erasmus porque queria 6 meses de férias ou porque estava farta do local onde estava. Fui de Erasmus porque precisava de crescer e sabia que só o iria conseguir fazer se me obrigasse a colocar bem longe da minha zona de conforto - e, bem, resultou.

No geral, cresci um pouco em tudo, mas posso dizer-vos que sou muito mais independente do que há 6 meses, tenho muito menos medo de tudo - e eu era uma pessoa bem medricas - e deixei de ter problemas em ser exatamente como sou, em falar o que acredito e em agir como penso ser o mais correto. Porquê? Não sei bem, mas penso que estar num sítio onde me sentia "diferente" me fez aceitar ainda mais essa mesma diferença. 

2. Visitei sítios e abracei experiências que provavelmente nunca teria tipo a oportunidade de realizar

Para quem me acompanha pelas outras redes sociais, sabe que tive a oportunidade de viajar imenso (acho que viajei mais nestes 6 meses do que em toda a minha vida) e acabei por me encontrar com experiências que provavelmente nunca se teriam colocado à minha frente se não fosse de Erasmus... Desde passar um dia inteiro numa cidade desconhecida completamente sozinha, até ver nevar, tudo contou para enriquecer este meu portefólio de experiências pessoais. 

3. Descobri que o céu é mesmo o limite

Desde pequena que nunca descartei a possibilidade de, um dia, viver fora do meu país, e esta experiência foi a confirmação de que isso é efetivamente possível. Apesar de não considerar a República Checa como "o meu país", sinto que o céu é o limite e que ainda há um mundo inteiro à minha espera para ser explorado. E ter a sensação de que posso construir a minha felicidade em qualquer canto do mundo é, sem dúvida, uma sensação inexplicável. 

4. Passei a valorizar o que tinha em casa

É bem verdade, só dás valor quando perdes o que tens. E, apesar de eu não ter "perdido" nada, o tempo que passei longe da minha cidade, do meu país, da minha família e dos meus amigos fez-me valorizar muito mais tudo o que tenho - e não há melhor sentimento do que esse! Agora, sou muito grata por tudo o que tenho, mesmo as mais pequenas coisas que podem parecer tão insignificantes no momento (e eu podia dar-vos mil e um exemplos), mas que, quando não as temos, percebemos o verdadeiro significado delas. 

5. Tenho histórias muito engraçadas para contar aos meus futuros filhos

A parte principal deste ponto nem é bem a capacidade de contar histórias, mas sim as memórias que criei e as lembranças de tudo o que vivi. Foram seis meses bem intensos da minha vida, onde muita coisa aconteceu - muitas vezes, tudo ao mesmo tempo - onde senti emoções bem fortes e onde vivi momentos (sejam bons ou maus) que sei que irei recordar para sempre. Foi como criar um pequeno passaporte carimbado com imensas boas histórias para relembrar no futuro!

No geral, se achei que valeu a pena? Isso vai ficar para uma futura publicação, pois ainda há muito (mas mesmo muito) para contar... Afinal, estive fora 6 meses e tenho muita coisa para vos atualizar!

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