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Ansiedade || A Minha Experiência & Como Ultrapassei


Olá! A publicação de hoje é daquelas que já escrevi várias vezes, que já apaguei ainda mais vezes e que hoje volto a reescrever. Sabia que vos queria falar disto, mas não sabia bem como, por isso deixei as minhas mãos guiarem o teclado e, sem pensar demasiado, deixo-vos um texto bem pessoal para lerem hoje. Nesta publicação, irei falar-vos sobre ansiedade, um tema que já abordei superficialmente por aqui algumas vezes, mas que nunca tive a coragem de falar como devia ser falado. Por isso, e para tirar finalmente este texto dos rascunhos, apresento-vos uma história, uma história com um final feliz.


A Minha História

Há quem diga que a ansiedade está em todos nós, apenas algumas pessoas tendem a desenvolvê-la mais do que outras - e eu acredito que isso seja verdade, tal como acredito que acabei por calhar no lado hipersensível, sem ter tido a oportunidade de escolher. Desde criança, desde que tenho memórias de mim mesma, sempre fui uma pessoa ansiosa e, como devem imaginar, isso refletia-se especialmente naquilo que mais nos caracteriza ao longo da nossa infância, adolescência e juventude - a escola. Não preciso de me alongar muito sobre isso, pois expliquei-vos detalhadamente a minha história na publicação "Crescer com Boas Notas", que poderão ver aqui, mas a escola foi precisamente o local onde dei asas à minha ansiedade - e não era só em períodos de testes ou exames, por vezes o simples ato de não conseguir fazer um trabalho de casa era motivo para despoletar demasiadas preocupações desnecessárias e irreais.

Felizmente, acredito que ser uma pessoa particularmente ansiosa me tenha trazido também coisas boas. Sou uma pessoa extremamente organizada e ponderada, pois tenho várias ferramentas para prevenir e evitar problemas antes de estes acontecerem. É raro chegar atrasada a algo e é ainda mais raro esquecer-me de coisas importantes para mim - a ansiedade preparou o meu cérebro para acordar quando deve, a lembrar-se do que precisa, a estar sempre alerta. No entanto, a balança final irá sempre pender para o lado das desvantagens. 

A minha história enquanto ser que vive em constante ansiedade pauta-se por diversos episódios de mental breakdowns, descargas de energia negativa, dúvidas quanto às minhas capacidades e, acima de tudo, um medo permanente - medo do que não consigo controlar, medo de falhar, medo. E não foi só na escola que tudo isto teve consequências... Por exemplo, o medo do que não consigo controlar fez-me, desde muito nova, ter dificuldade no contacto com animais, limitou os meus momentos de leveza e diversão, agarrou-me muitas vezes quando precisava de arriscar. Ou seja, apesar de ter as suas particularidades, a minha história vai ao encontro de muitas histórias que já devem ter ouvido (ou sentem) na vossa vida, pois este é um problema que cada vez mais afeta o mundo e a sociedade ao nosso redor.

Como Ultrapassei

Talvez este subtítulo seja um pouco injusto e irreal, porque, na verdade, a ansiedade não está completamente erradicada da minha vida e, provavelmente, nunca vai estar. No entanto, quero acreditar que já evoluí bastante no sentido de trazer uma maior descontração, leveza e espontaneidade à minha vida.

Não foi um processo fácil, pois, mesmo tanto tempo depois, épocas de exames continuam a alterar o bater do meu coração... Mas está muito diferente, para melhor, do que estava quando comecei esta jornada. E é por isso que, agora, vos irei deixar pequenos hábitos que podem inserir no vosso dia-a-dia para limitar a ansiedade:
  • Hábitos mentais:
    • Cortar da tua mente os pensamentos provocados pela ansiedade antes de lhes dares ouvidos. Ou seja, aprende a estar presente no teu corpo e a ser capaz de observar e prever a chegar de um pensamento ansioso - assim, antes de ele começar a tomar conta de ti, podes substituí-lo por algo positivo. Por exemplo, substitui um "vou-me esquecer de tudo na prova de amanhã" por um "aconteça o que acontecer, sei que dei o melhor de mim".
    • Concentrares-te no momento presente. Assim, quando o teu cérebro quiser prever os possíveis problemas e medos do futuro (tudo situações irreais e fabricadas pelo teu receio), não será capaz, pois estarás a focar e a colocar toda a tua energia na atividade que estás a fazer no momento.
    • Criar uma casa mental positiva. Ao preferires a positividade ao constante negativismo, estarás a dar aso a que os teus pensamentos mudem de rumo e passem a ver cada situação de uma forma bastante mais descontraída e feliz, procurando o bom em vez do mau.
  • Hábitos físicos:
    • Organizar visualmente os teus dias. Mais uma vez, falo-vos de todos os meus métodos de organização e planeamento, pois sinto que faz uma diferença gigantesca saber e poder ver exatamente tudo o que o dia tem reservado para mim.
    • Fazer listas positivas. Para aprenderes a ver o lado positivo de cada situação, começa por escrever 3 a 5 coisas por dia que te fizeram sentir feliz, por mais pequenas que sejam. Escolhe um número e obriga-te a cumprires esse número todos os dias, até seres capaz de o ultrapassar.
    • Ter um refúgio. Não tem de ser propriamente um local com quatro paredes, pode ser um caderno, uma música, um vídeo. Qualquer coisa que saibas que te ajuda a abstrair da ansiedade que possas estar a sentir e que te transporta para um local mental mais positivo e relaxado.
E, com estes hábitos, termino a publicação de hoje. Se se identificaram com a minha história, devo dizer-vos que não estão sozinhos e que todos conseguimos ultrapassar isso. Se conhecem alguém que sofre do mesmo problema, mostrem-lhe esta publicação, pois nunca sabemos o que será aquilo que dará a motivação certa a quem precisa dela.

E agora, querem contar-me a vossa história?

xoxo,



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4 comentários:

  1. Revi-me muito na tua publicação.
    A ansiedade está presente sim em todos nós, faz parte da ativação do nosso sistema nervoso simpático, também conhecido vulgarmente como "sistema de luta ou fuga", que é aquele sistema quase como instintivo que nos prepara para o perigo.
    O mal é quando esta ansiedade começa a ser patológica afectando a nossa vida diária, e muitas vezes o "perigo" percepcionado não é real.
    Sou perfecionista e também normalmente "gosto de ter tudo sobre controlo", o que tem o seu lado positivo e negativo, tal como tu nunca me atraso para nada e ando sempre com a agenda atrás. O lado negativo é que sei que por vezes a minha prestação académica podia ainda ser melhor se o meu medo de falhar não me impedisse e após tirar a carta tive algum tempo sem conduzir porque simplesmente entrar no lugar do condutor me deixava com medo de tal forma que eu paralisava e analisava tudo ao mais pequeno pormenor.
    Algo que me ajudou muito foram consultas de psicoterapia que me fizeram perceber em que momentos surge essa ansiedade e como reagir quando estou perante esses momentos.
    Meditação, ter uma rotina de relaxamento, praticar exercício físico ao ar livre e escrever num diário da gratidão, foram algumas das formas que encontrei para lidar com a ansiedade.

    Obrigada pelo teu desabafo (:
    http://arrblogs.blogspot.com/

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    1. E eu revi-me imenso no teu comentário, e até em assuntos que não cheguei a abordar na publicação. A condução, por exemplo, também se tornou num dos maiores medos, e muito provavelmente isso estará ligado com a minha ansiedade, apesar de nunca a ter visto como a principal causa...Gostei imenso das tuas dicas para ajudar a ultrapassar, algumas até já pratico! Muito obrigada!
      Beijinhos

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  2. Não é fácil lidar com a ansiedade...

    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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Thank you so much!