quarta-feira, 12 de agosto de 2020

A Minha Jornada Anti-Fast Fashion


Depois de imensas publicações que sugerem a minha aproximação a uma via mais sustentável da indústria da moda, era fácil de perceber: estou numa jornada - uma jornada anti-fast fashion. No entanto, nunca vos expliquei o porquê, como começou ou quais foram as motivações que desencadearam uma mudança tão radical na minha vida... Porque sim, depois de 20 anos a vestir-me com um guarda-roupa 80% Zara, é óbvio que foi uma decisão difícil de tomar e, acima de tudo, de aplicar. Mas hoje venho contar-vos os detalhes desta história, que quero que leiam com atenção, espírito aberto e um coração pronto a aceitar a mudança que, a qualquer momento, se poderá desencadear dentro de vocês. 

Como tudo começou...

Os meus primeiros passos deram-se num conceito que, direta ou indiretamente, se interliga com a moda sustentável: o consumismo. Já vos falei diversas vezes desta publicação, mas foi em janeiro de 2018 que realizei a minha "tomada de posição" mais oficial, ao escrever-vos um post onde falava sobre como queria passar a utilizar as mesmas peças em diversos looks, para vos mostrar como era possível "reciclar um outfit". É engraçado como olho para essa publicação e ainda me identifico tanto com as palavras que escrevi há mais de dois anos atrás!

Dito e feito. A partir de 2018 comecei a reduzir bastante o meu consumo de moda, concentrando-me mais na criatividade e reutilização de peças em diversos looks - algo que ainda hoje me dá tanto gozo fazer! No entanto, nas poucas vezes em que ia comprar novas peças, essas compras eram sempre feitas nas lojas do costume... Zara, Pull&Bear, Mango e outras tantas eram os locais onde sempre me tinha habituado a encontrar as roupas que constituíam os meus armários e onde continuava a comprar, agora em menor quantidade.

E, um dia, tudo teve de caber numa mala... 

Admito que, depois daquela resolução de início de 2018, a minha posição manteve-se muito estagnante e nem a visualização de documentários tão famosos como o "The True Cost" me fizeram alterar os meus hábitos.

Mas em setembro de 2019 parti numa aventura que me mudou em todos os sentidos - e, como é óbvio, também a moda tinha de estar incluída. Fui de Erasmus para a República Checa com o arranque do meu terceiro ano de faculdade e, entre todas as preocupações que me podiam assolar nos dias antes da partida, apenas uma me fazia tremer: como é que vou viver seis meses apenas com roupa que cabe numa mala? Ao todo, levei pouco mais do que 30 peças. 30 peças para um verão quente de finais de setembro, um outono ameno e um inverno de neve e temperaturas negativas. E qual não foi a minha surpresa ao chegar ao final daqueles seis meses a sentir que todas as peças que levei tinham sido suficientes (aliás, que até tinha levado peças a mais!). 

Quando voltei, era uma pessoa diferente...

Chegar a casa, já em 2020, e deparar-me com um armário atolhado de peças foi, provavelmente, um dos meus momentos-luz pois, passados poucos dias, já dava por mim a tirar e tirar e tirar e tirar... Ao todo, tirei mais de 60 peças que vendi em mercados de segunda mão ou doei a quem mais precisava delas. 

Ao mesmo tempo que combater o meu consumismo se tornava numa constante da minha vida, comecei a navegar pelo conceito da moda sustentável e foi aí tudo se começou a desenrolar. Aos poucos, comecei a descobrir o que estava por detrás da indústria de fast fashion, seja ao nível ambiental ou social, e senti, acima de tudo, que os meus valores começavam a falar cada vez mais alto e eu já não queria ser cúmplice daquilo que conhecia. Têm razão quando dizem que conhecimento é poder... Neste caso, conhecimento era também responsabilidade e estava nas minhas mãos escolher se queria ignorar, aceitando tacitamente o que se desenrolava perante os meus olhos, ou tomar uma ação. Escolhi tomar uma ação. 

De que lado da moda é que eu quero estar?

Neste momento, encontro-me a pouco mais de um mês de me tornar oficialmente numa estudante de moda e frequentemente me pergunto: de que lado da indústria é que eu quero estar? Do lado fácil, que trará as suas consequências a médio/longo prazo, mas que de momento é uma indústria de milhões de dólares? Ou do lado difícil, aquele que exige uma mudança comportamental e uma reeducação? Pelas publicações que têm visto nos últimos tempos, provavelmente conseguem perceber que lado escolhi.

Escolhi mudar.
Escolhi reeducar-me.
Escolhi seguir os meus ideais.
Escolhi iniciar uma jornada anti-fast fashion.

xoxo,

M.

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