quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Afinal, fazer Erasmus valeu a pena?


"E então, Mariana, achas que esses cinco meses longe de casa valeram a pena?" Esta é, sem dúvida, uma das perguntas que mais me fazem desde que passei as férias de Natal em casa. No entanto, tendo em conta que é uma pergunta bem mais complexa do que um simples "sim" ou "não", achei que faria sentido explicar-vos mais detalhadamente a minha resposta através desta publicação.

Mas, e como eu sei que muitos vieram aqui à procura dessa resposta rápida, aqui vai a minha: sim, valeu completamente a pena.

Em primeiro lugar, porque é que uma pergunta mais complexa do que se pensa?

Bem, eu sem dúvida que vivi muita coisa nestes últimos meses - como devem imaginar, há muito que se pode experienciar em mais de 150 dias de vida (obviamente usei a calculadora para fazer esta conta, quem pensam que sou) - e, no meio de todas as coisas, houve partes boas e partes menos boas. Se houve uma parte que se destacou mais? Claro que sim, mas penso que estamos a entrar numa cultura onde esconder as dificuldades que passamos se tornou numa prática comum, e eu não quero, de todo, apoiar isso. 

Então, isso quer dizer que valeu a pena?

Valeu a pena, sim, mas não porque foi tudo cor-de-rosa e arco-íris como muita gente pinta esta fase da nossa vida... Valeu a pena, porque não só me permitiu viver imensas experiências positivas, como também cresci imenso enquanto enfrentava as dificuldades e obstáculos que este desafio colocou no meu caminho. 

Quando falas de dificuldades, estás a falar de saudades de casa?

Claro que essa parte tem de estar incluída nas dificuldades, mas, na verdade, existiu muito mais para além disso - coisas que, contrariamente às saudades, não estava à espera de ultrapassar. E não vos falo de nada de outro mundo, mas simplesmente de dificuldades que qualquer pessoa que nasceu e cresceu num determinado background cultural tem de passar ao se inserir num novo estilo de vida completamente diferente:

  • A comunicação com as pessoas na rua (para quem não sabe falar a língua);
  • A dificuldade em se sentir "em casa";
  • A sensação de estares constantemente a enfrentar o desconhecido onde quer que te encontres;
  • (Esta é muita específica ao Erasmus mas) estares constantemente a precisar de coisas em que não queres investir porque sabes que é apenas temporário e tens exatamente o que precisas em casa.
Todas estas coisas são "dificuldades" que, enquanto pessoas, somos obrigados a ultrapassar e, obviamente, cada uma destas situações nos muda - muda a nossa personalidade, muda o nosso ponto de vista, muda partes essenciais do nosso carácter.

Pela forma como estás a falar, parece que só viveste dificuldades...

Não, de todo, nem quero que essa seja a imagem que levam desta publicação! Simplesmente quero mostrar-vos que o Erasmus não é só festas, viagens e uns meses de férias da faculdade: o Erasmus é uma jornada de conhecimento pessoal - com muita diversão pelo meio, é claro - mas o que está por detrás da sua importância no nosso percurso enquanto estudantes é que estes cinco meses da nossa vida nos ajudam a crescer mais do que durante todos os outros anos juntos de faculdade. 

E daí valorizar tanto as dificuldades e obstáculos deste percurso, pois são eles quem mais contribuíram para este resultado final que foi o meu redescobrimento pessoal. Os momentos felizes e divertidos? Esses ficarão para sempre guardados na memória, guardados no meu coração. Mas são as coisas ditas "menos boas" as verdadeiras impulsionadoras do meu crescimento.

E pode parecer cliché, mas sinto-me mesmo diferente.
Sinto-me mais eu mesma.
Sinto-me mais forte.
Sinto-me mais consciente do mundo.
Sinto-me com menos medo.
Sinto-me mais confiante nas minhas capacidades.
Sinto-me mais grata.

No geral, sinto-me mais.
E, por isso... Só por isso o Erasmus já valeu toda a pena.

xoxo,

2 comentários

  1. Acredito que fazer Erasmus seja, de facto, uma experiência enriquecedora, e quem me dera a mim ter feito isso na minha altura :).
    Beijinhos
    Blog: Life of Cherry

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    1. Foi mesmo! Mas vamos sempre a tempo de viver uma experiência semelhante... Eu quero muito voltar a fazer algo do género!
      Beijinhos

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