In Personal

To All The Girls I've Hated Before


Não, ainda não vi o filme. Não, não faço a mínima ideia do que fala - para além do título, obviamente. Sim, simplesmente veio-me este título à cabeça e apeteceu-me falar sobre o assunto. Não, não vai ser uma publicação normal... (Vocês sabem que não é de todo uma publicação normal, quando não começa com o "Olá!" habitual.) E, por fim, sim, vou parar de enrolar, para ir direta ao assunto que nos trouxe até aqui.


Sinto que não há melhor altura para introduzir o tema de ódio entre raparigas, do que na época de regresso às aulas, por dois simples motivos:
  1. Setembro é um mês de recomeços, é quase como um "segundo janeiro", onde criamos as nossas metas e nos esforçamos para atingir determinados objetivos. E espero que no fim desta publicação tenham mais um objetivo para adicionar à vossa lista.
  2. É na escola, no contacto com os outros, que começamos a desenvolver a nossa personalidade e a escolher que tipo de práticas queremos adotar, que tipo de ser humano somos.
Não sou perfeita nas minhas práticas, no ser humano que escolhi ser, muito longe disso, e por algum motivo esta publicação é dedicada a todas as raparigas que já odiei. Aliás, durante dois anos da minha vida, cheguei mesmo a sentir-me uma autêntica personagem de "Mean Girls" e sei demasiado bem como algumas atitudes minhas já foram completamente contra o ideal de que vos venho falar hoje. Mas, na verdade, quem nunca teve momentos maus? O que nos distingue é a forma como os ultrapassamos, como crescemos e como mudamos. E eu ultrapassei-os, cresci e mudei.

Fui habituada a odiar outras raparigas ainda andava na pré-primária, porque tinha uma colega que, como todos diziam, "cheirava mal". E mesmo sabendo que a menina em questão não tinha culpa nenhuma de tudo isto, esta era afastada da turma e gozada até mais não... Depois, na primária, estive na turma de uma menina que sonhava em ser modelo. Odiei-a com todas as minhas forças, porque ela era linda, e eu também queria ser assim. No básico, o karma fez o seu trabalho e, desta vez, fui eu que fui odiada. Fui odiada pelas minhas notas, pelo esforço que colocava em cada estudo, em cada trabalho, em cada teste. E a ironia? Lembram-se de todas as pessoas que eu odiei? Sim, foram elas que me acolheram nesta grande chapada da vida. Mas nem isto foi suficiente... 

Falo-vos dos meus últimos anos de ensino básico com arrepios na pele e cortes na voz, porque chego a ter vergonha da pessoa que fui... Há um limite ténue entre confiança em nós mesmos e arrogância e, depois de ter passado cerca de dois anos do lado errado da muralha, digo-vos o quão difícil é voltar para trás, voltar para o ser humano puro e sem ódios que todos temos dentro de nós. Para mim, foi preciso um corte total com o passado, e eu sabia disso, por isso é que comecei o meu secundário numa página em branco, num sítio novo, numa escola nova, rodeada de pessoas novas. Mudei muito, cresci ainda mais, tive algumas recaídas, mas, no fundo, consegui recuperar o meu estado mais puro e repleto de amor.

5 anos depois dessa mudança, escrevo-vos esta publicação com uma pequena moral, que me custou bastante a aprender: o ódio irracional entre raparigas precisa de ser combatido o mais rápido possível. E falo-vos do quê? Das raparigas que vocês odeiam por serem mais bonitas que vocês, por terem tirado melhores notas que vocês, por serem mais ricas que vocês, por terem um Instagram mais bonito que o vosso, ou simplesmente por existirem. Falamos tanto de "girl power" e de como juntas somos mais fortes, mas depois preferimos sabotar as escadas de quem está a tentar subir, em vez de as ajudar a levantar. Qual é a necessidade de tudo isto? Precisamos mesmo de deitar o outro abaixo para conseguirmos subir? Precisamos mesmo de odiar a rapariga ao nosso lado para nos sentirmos bem connosco mesmas?

Não, não precisamos. Nós subimos quando ajudamos os outros a subir. Nós não somos menos bonitas, temos o nosso próprio tipo de beleza. Nós não precisamos de odiar para nos sentir bem connosco mesmos, nós precisamos sim de travar o ódio para nos sentirmos verdadeiramente em paz. Este ano, quando regressares às aulas, faz tudo o que estiver ao teu alcance para retraíres esses pensamentos de ódio irracional que te possam surgir e substitui-os por um pensamento de amor... Aí, vais ver o quão melhor te irás sentir.

xoxo,


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8 comentários:

  1. O meu curso é basicamente só de raparigas e é tão triste tanta crueldade em vez de um espírito de entreajuda

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    1. É mesmo triste a regularidade com que vemos isso no nosso dia-a-dia. Tornámos a competição na nossa prioridade, em vez de ajudar quem está ao nosso lado... Mas não há ninguém melhor para o mudar do que nós mesmos com as nossas atitudes!
      Beijinhos

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  2. Nossa muito verídico o que vc disse nesse post.

    http://www.blogsecretplace.com/

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    1. Infelizmente, é mesmo a nossa realidade.
      Beijinhos

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  3. Passo tanto por maldade todos os anos, e agora que vou entrar sem amizades ainda vai ser pior... Enfim é daqueles momentos que nem dá vontade de sair da cama...

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    1. Depois de ter passado por uma fase assim, apercebi-me de que a única maneira de combater o ódio é responder com amor. Pode parecer injusto para nós, que acabamos por sofrer e tentamos fingir que nada acontece, mas é o mais correto a longo prazo. Tem muita força e lembra-te sempre que todas as fases más acabam por passar!
      Beijinhos

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  4. Eu era mais a odiada, desde sempre (ahah). Primeiro porque era gordinha, depois porque tirava boas notas, etc.
    Mas não guardo rancores. As crianças conseguem ser crueis.
    Beijinho
    http://brevisfuse.blogspot.com

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    1. Fico mesmo feliz por saber que conseguiste ultrapassar tudo isso e tornar-te na mulher que és hoje!
      Beijinhos

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Thank you so much!