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Review: "Flores" de Afonso Cruz

Olá!
       Sendo eu um ser completamente apaixonado por todo o tipo de palavras não podia deixar de ser também uma leitora obsessiva compulsiva, era quase que obrigatório na minha consciência dar-vos a conhecer alguns dos livros que mais me tocaram e como o que é nacional é muito bom trouxe-vos hoje um autor português, Afonso Cruz, que para além de ter um talento enorme na escrita é uma pessoa muito interessante que tive oportunidade de conhecer há uns meses.

 
 

       De um lado encontramos o protagonista de "Flores" que vê o amor da sua vida a transformar-se numa autêntica rotina, "Beijamo-nos como quem faz a cama.", dizia ele, era um homem cuja vida precisava de um rumo. Do outro lado temos o Sr.Ulme, o vizinho do nosso protagonista que sofre diariamente com todas as tragédias noticiadas pelo mundo mas cujo o maior sofrimento não é esse, é um passado em branco, um aneurisma que o faz perder todas as suas memórias. É no encontro destas duas personagens que tal como o seu protagonista, a história toma o seu rumo e nós seguimos cada palavra na busca pelas memórias perdidas de Ulme: brincadeiras de infância, amores perdidos, a imagem de uma mulher nua. Uma personagem que tenta preencher o vazio do seu presente com o passado de outrem, uma personagem que nos vai cativar.



       O final desta história deixo em suspense, cabe-vos a vocês descobrirem as memórias do Sr. Ulme e reconstruir um passado no presente. Espero que se apaixonem tanto por esta história como eu e que se sintam no meio de todo este romance porque "book lovers never go to bed alone". E para terminar, deixo-vos com um excerto deste livro:

"Creio que, numa relação, o beijo terá sempre de manter a densidade do primeiro, a história de uma vida, todos os pores-do-sol, todas as palavras murmuradas no escuro, toda a certeza do amor. Mas já não é assim. Agora sabem às vacinas que tínhamos de dar à cadela (já morreu), às conversas com o diretor da escola, à loiça por lavar, à lâmpada que falta mudar, às infiltrações no teto, às reuniões de condóminos. Toco levemente os lábios dela e sabe-me a rotina, às finanças, ao barulho da máquina de lavar roupa. Beijamo-nos como quem faz a cama."

xoxo,

M.
      

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